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Dinheiro / 2020

João Bravo: 5 000 € em nome próprio e 195 € de uma empresa sua nas contas do Chega de 2020

Em 2020, André Ventura e o vice-presidente Diogo Pacheco de Amorim estiveram num almoço com empresários em que participou João Bravo, dono do grupo Sodarca; as fontes divergem no local e na data. Segundo o Expresso e a TVI, que consultaram documentos entregues pelo partido à Entidade das Contas, Bravo deu 5 000 € ao Chega em 2020. No relatório de auditoria às contas de 2020, em contraditório, a Entidade regista uma transferência de 195 € da Helibravo, empresa de Bravo, que o partido contou como donativo, e escreve que pode configurar um donativo de pessoa coletiva, que a lei não admite.

Donativo de João Bravo em 2020 (Expresso; TVI)
5 000 €
Transferência da Helibravo, 07/01/2020 (Entidade das Contas)
195 €
Total de Bravo em 2020, segundo o livro «Por Dentro do Chega»
perto de 5 200 €

Em 2020, André Ventura e o vice-presidente do Chega, Diogo Pacheco de Amorim, estiveram num almoço com empresários. Segundo a Sábado, o almoço foi em maio de 2020, em casa de um advogado, em Cascais, e João Maria Bravo, dono do grupo Sodarca, estava entre os presentes. Segundo o livro «Por Dentro do Chega», o anfitrião foi o próprio Bravo, na Quinta do Barruncho, em Loures, e o livro dá três datas: 18 de junho de 2020, junho de 2020 e maio de 2020. Não é claro se as duas fontes descrevem o mesmo almoço. Ao autor do livro, Pacheco de Amorim disse: «Foi um almoço para trocar impressões, as pessoas queriam ouvir o André». Negou ter discutido questões de dinheiro.

Segundo o Expresso, que consultou os extratos bancários entregues pelo Chega à Entidade das Contas e Financiamentos Políticos, Bravo deu 5 000 € ao partido em 2020; nesses extratos, as maiores transferências de pessoas singulares nesse ano foram todas de 5 000 € (24noticias, 13/08/2021). A TVI dá o mesmo valor, com base em documentos entregues pelo partido à Entidade, e escreve que o nome não constava das listas de donativos que o Chega deu aos jornalistas em março de 2024 (CNN Portugal, 04/03/2024). O livro dá perto de 5 200 € em 2020, dos quais 195 € transferidos da Helibravo. A data do donativo pessoal não é conhecida.

O relatório de auditoria da Entidade das Contas às contas de 2020 regista uma transferência de 195 € da Helibravo Aviação, a 7 de janeiro de 2020, e diz que, na «Lista Final de donativos 2020» entregue pelo partido, essa transferência foi considerada donativo. Sobre esta e outras transferências de empresas, no total de 1 032 €, a Entidade escreve que «podem configurar donativos de pessoas coletivas, vedados pelo artigo 8.º, n.º 1, da Lei n.º 19/2003». A Helibravo é uma empresa de Bravo: o Expresso apresenta-o como sócio-gerente e o livro inclui-a no grupo Sodarca, de que ele é dono. O relatório está em contraditório e não é uma decisão (ver a ficha do relatório).

A lei permite donativos de pessoas singulares até 25 vezes o indexante dos apoios sociais por ano (10 970,25 € em 2020) e não admite donativos de pessoas coletivas. A lista de donativos de 2020 não está publicada, e a Entidade deixou de divulgar a identidade dos doadores (ver esta ficha).

Em maio de 2025, a PGR anunciou 12 arguidos, sete pessoas e cinco empresas, na Operação Torre de Controlo, um inquérito sobre a alegada viciação de concursos públicos de meios aéreos de combate a incêndios (DN). Segundo o Público, João Maria Bravo foi «um dos 12 arguidos» (29/05/2025); o Observador escreve que a Helibravo foi constituída arguida (11/06/2026). Bravo não quis prestar declarações ao Observador, invocando o segredo de justiça. Não se conhece acusação; presume-se inocente.

Fontes: Relatório da ECFP relativo às Contas Anuais apresentadas pelo CHEGA, referentes a 2020 (ponto 4.1.5.2) (documento, noutro site) (Entidade das Contas e Financiamentos Políticos), 11.02.2026; Acionista da TAP surge nos extratos bancários do Chega (noutro site) (Expresso (via 24noticias)), 13.08.2021; Exclusivo: Listas de donativos ao Chega estão incompletas. Faltavam os maiores doadores de 2020 (e não só) (noutro site) (CNN Portugal), 04.03.2024; Humberto Pedrosa e os outros caçadores milionários que financiaram o Chega (noutro site) (Sábado), 12.08.2021; Contra as elites, venham as elites › Convidados de luxo (Livro «Por Dentro do Chega» (Miguel Carvalho, 2025)), setembro de 2025; Contra as elites, venham as elites › abertura do capítulo (Livro «Por Dentro do Chega» (Miguel Carvalho, 2025)), setembro de 2025; Empresário financiador do Chega é arguido no cartel dos helicópteros (noutro site) (Público), 29.05.2025; Operação Torre de Controlo: generais não são arguidos (noutro site) (Diário de Notícias), 01.06.2025; Cartel dos fogos: como um oligopólio terá manipulado concursos de helicópteros que custaram 190 milhões ao Estado (noutro site) (Observador), 11.06.2026

Resposta do visado

O secretário-geral do Chega, Rui Paulo Sousa, confirmou à TVI/CNN Portugal que as listas de donativos dadas aos jornalistas estavam incompletas e disse que «o Chega forneceu toda a informação relativamente a todos os recibos que foram emitidos». (04.03.2024)

Dinheiro

Data
2020
Visados
Chega, João Maria Bravo (empresário)
Última verificação
14.10.2026