Sinais / Minorias
André Ventura, presidente do Chega e deputado: Sobre o homicídio do ator Bruno Candé
Disse · Minorias · 26.07.2020
«Bruno Candé foi assassinado e isso é uma tragédia. Como seria o assassinato de um branco ou de um chinês. Acabem lá com essa ladainha habitual do racismo. Não somos um país racista! Nada neste homicídio aponta para crime de ódio racial.»
Publicação no Twitter (hoje X), a 26 de julho de 2020, no dia seguinte ao homicídio do ator Bruno Candé, morto a tiro numa rua de Moscavide (Loures). No mesmo dia, numa nota enviada aos jornalistas, a direção nacional do Chega escreveu que «o assassinato do ator Bruno Candé é uma tragédia, mas nada tem, segundo os dados conhecidos até ao momento, a ver com racismo» (Lusa; Observador). Na altura, segundo o Observador, a PSP dizia que nenhuma das seis testemunhas ouvidas no local tinha falado de racismo; a família afirmava, em comunicado, que o suspeito tinha dirigido ao ator «vários insultos racistas» três dias antes.
O que aconteceu: A 28 de junho de 2021, o Tribunal de Loures condenou o autor dos disparos, em 1.ª instância, a 22 anos e nove meses de prisão, por homicídio qualificado e posse de arma ilegal. Segundo a Lusa, «O tribunal deu como provada a motivação de ódio racial». Este arquivo não encontrou notícia de recurso nem do trânsito em julgado.
A publicação continua visível na conta de André Ventura no X (confirmado a 13/10/2026). O Observador reproduziu-a a 27 de julho de 2020, ao lado da nota da direção nacional do Chega, em que o partido escreveu também que «Portugal é o país menos racista da Europa, talvez do mundo, pelo que só nos resta transmitir à família e amigos de Bruno Candé sentimentos de solidariedade e conforto».
Quase um ano depois, a 28 de junho de 2021, o Tribunal de Loures deu como provada a motivação de ódio racial. Segundo a Lusa, na leitura do acórdão, a juíza presidente afirmou que o crime foi cometido por um «motivo fútil» e por «ódio racial», tendo em conta as palavras que o arguido dirigiu a Bruno Candé, e o tribunal considerou que a morte não resultou de um «descontrolo momentâneo», mas de um ato premeditado. Este arquivo não identifica o condenado.
Fontes: Publicação de 26/07/2020 (André Ventura (X, antigo Twitter)), 26.07.2020; PSP: em seis testemunhas ouvidas sobre a morte de Bruno Candé, «nenhuma falou de racismo» (Lusa (via Observador)), 26.07.2020 · Lusa; Racismo ou vingança? A agressão antes do homicídio que pode ter motivado a morte de Bruno Candé (Observador), 27.07.2020; Homem acusado de matar ator Bruno Candé condenado a 22 anos e nove meses de prisão (Lusa (via RTP)), 28.06.2021 · Lusa
Sinal
- Tipo
- Disse
- Tema
- Minorias
- Data
- 26.07.2020
- Quem
- André Ventura
- Última verificação
- 13.10.2026
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