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Sinais / Imprensa

Campanha presidencial de André Ventura; Rui Paulo Sousa, diretor de campanha: Ameaças a jornalistas no jantar-comício de Braga e relatório da Comissão da Carteira

Fez · Imprensa · 17.01.2021

Ameaças a jornalistas no jantar-comício de Braga e relatório da Comissão da Carteira
Campanha presidencial de André Ventura; Rui Paulo Sousa, diretor de campanha

Campanha para as presidenciais de janeiro de 2021. A Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ) atribui a carteira profissional aos jornalistas. Contactada pela missão da OSCE que acompanhava a campanha, ouviu sete jornalistas que cobriram a candidatura de André Ventura e enviou um relatório a várias entidades.

O que aconteceu: A CCPJ enviou o relatório ao Presidente da República, ao presidente da Assembleia da República, ao primeiro-ministro, à procuradora-geral da República, à provedora de Justiça, à CNE, à ERC e ao Sindicato dos Jornalistas (28/02/2021). A 28 de abril de 2021, escreveu que as ameaças de Braga «estão a ser investigadas pelo Ministério Público». Em dezembro de 2021, o Ministério Público arquivou o inquérito (nota da Procuradoria-Geral Regional do Porto, noticiada pela Lusa a 15/12/2021). Segundo a nota, «apesar de ter sido possível concluir indiciariamente pelo proferimento de dizeres ameaçadores dirigidos aos jornalistas, não se logrou identificar de quem partiram»; os crimes de dano e de injúria dependiam de queixa dos ofendidos, que não existiu; e os factos não preenchem os crimes de atentado à liberdade de imprensa nem de discriminação e incitamento ao ódio e à violência.

A 17 de janeiro de 2021, num jantar-comício da candidatura de André Ventura em Braga, o diretor de campanha, Rui Paulo Sousa, disse no seu discurso: «Os nossos inimigos, os nossos adversários estão lá fora. Não estão todos lá fora, infelizmente. Alguns estão cá dentro». Segundo a CCPJ, os jornalistas entenderam que as palavras lhes eram dirigidas: «Na sala, além dos apoiantes, só estavam os jornalistas.»

A 21 de janeiro, a CCPJ classificou como «acontecimentos gravíssimos» as ameaças a jornalistas e os danos causados «em, pelo menos, uma viatura de serviço», e disse estar a procurar identificar os responsáveis pelos «insultos, ameaças e tentativas de agressão» aos jornalistas que cobriam o jantar. No comunicado de 28 de fevereiro, depois de ouvir sete jornalistas, escreveu que nessa noite «vários profissionais da comunicação social ouviram insultos, ameaças, vaias, apupos dentro da sala do jantar-comício», que saíram em grupos porque se sentiram ameaçados e que um carro de reportagem da RTP, ao serviço da Antena 1, foi vandalizado. Sobre as redes sociais, escreveu que «o tom usado por alguns apoiantes e por, pelo menos, um dirigente do Chega é passível de ser enquadrado como crime». O comunicado não identifica esse dirigente.

O mesmo jantar deu origem a um processo por desobediência às regras da pandemia, já arquivado (ver o caso). O livro «Por Dentro do Chega» relata outros episódios desta campanha (pedidos para verificar carteiras profissionais na noite eleitoral, vídeos contra repórteres) que nenhuma outra fonte lida confirma; não entram nesta ficha.

Fontes: Arquivado inquérito sobre ameaças a jornalistas em comício de Ventura em Braga (Lusa (via JN)), 15.12.2021 · Lusa; Ameaças e Violência contra Jornalistas (Comissão da Carteira Profissional de Jornalista), 21.01.2021; Ameaças à liberdade de informação (Comissão da Carteira Profissional de Jornalista), 28.02.2021; Violência contra jornalistas e atentado à liberdade de informação (Comissão da Carteira Profissional de Jornalista), 28.04.2021; Chega acusa Comissão da Carteira de Jornalistas de «ser manietada» e ter «fins» político-ideológicos (Lusa (via Observador)), 05.03.2021 · Lusa; Os «inimigos do povo» › Ameaças e intimidações (Livro «Por Dentro do Chega» (Miguel Carvalho, 2025)), setembro de 2025

Resposta do visado

Em comunicado, a direção nacional do Chega acusou a CCPJ de estar «a ser manietada e conduzida por fins meramente políticos e ideológicos» e escreveu, sobre Ventura, que «foi ele o candidato mais alvo de violência e protestos em toda a campanha» (Lusa). Segundo a CCPJ, no dia seguinte ao jantar, Ventura «fez declarações no sentido de se demarcar das ameaças proferidas contra os jornalistas, mas nunca desautorizou o seu diretor de campanha». (05.03.2021)

Sinal

Tipo
Fez
Tema
Imprensa
Data
17.01.2021
Última verificação
13.10.2026

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