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Sinais / Imprensa

Rita Matias e Madalena Cordeiro, deputadas do Chega, e outros membros do partido: No estúdio da Rádio Universidade de Coimbra durante um debate em direto; a emissão foi cortada

Fez · Imprensa · 12.10.2026

No estúdio da Rádio Universidade de Coimbra durante um debate em direto; a emissão foi cortada
Rita Matias e Madalena Cordeiro, deputadas do Chega, e outros membros do partido

A Rádio Universidade de Coimbra (RUC) funciona no edifício da Associação Académica de Coimbra (AAC). Em fevereiro de 2026 (a 25, segundo a RUC), a Assembleia Magna da AAC aprovou, com 273 votos a favor, três contra e 30 abstenções, que o Chega não participe em eventos da AAC nem entre nas suas instalações. Para a estreia de um programa semanal de debate com as juventudes dos partidos com assento parlamentar, a RUC convidou o Chega a participar à distância; o presidente da distrital de Coimbra do partido comunicou que o Chega não estaria presente (Lusa; RUC).

O que aconteceu: Caso em evolução. A PSP identificou Rita Matias «enquanto responsável por uma manifestação que não cumpria os requisitos legais» (fonte oficial do Comando Distrital de Coimbra, à Lusa). A 13 de outubro, a AAC anunciou que vai apresentar queixa ao Ministério Público; o Sindicato dos Jornalistas disse-se convicto de que não é preciso queixa para que o Ministério Público atue. Até 13/10/2026, nenhuma fonte indica queixa apresentada, inquérito aberto ou procedimento na ERC ou na Assembleia da República.

Na manhã de 12 de outubro de 2026, as deputadas Rita Matias e Madalena Cordeiro e outros membros do Chega entraram no edifício da AAC e no estúdio da RUC, onde decorria em direto um debate com elementos do Livre, da JS, da JSD e da IL (Diário de Coimbra; Observador; Lusa). Segundo o locutor, citado pelo Observador e pela Lusa, a emissão foi cortada quando Rita Matias pegou num microfone do estúdio; os membros do Chega gravavam com telemóveis, disseram que queriam participar no programa e só saíram quando chegaram três agentes da PSP. Rita Matias, coordenadora da juventude do partido, disse que estiveram presentes 17 jovens do Chega; o Sindicato dos Jornalistas fala em «cerca de 30 pessoas».

Na versão da RUC, que é parte no caso, a comitiva entrou no estúdio cerca das 9h30, depois de Rita Matias dizer a um associado que estava a sair do estúdio que a comitiva tinha sido convidada para o programa, e os representantes do partido ficaram no estúdio, «mesmo após terem sido apelados a sair», até às 9h55, hora a que chegou a PSP. A RUC escreve que a comitiva entrou também, «sem autorização», nos gabinetes da Direção-Geral da AAC.

Segundo fonte oficial do Comando Distrital da PSP de Coimbra, citada pela Lusa, Rita Matias foi o único elemento da comitiva a ser identificado e a PSP, «quando chegou ao local, solicitou que abandonassem as instalações». Segundo a PSP, foi também identificada uma vice-presidente da AAC, por ter sido quem chamou a polícia. Na nota da RUC, o presidente da Direção-Geral da AAC diz que a chamada para a PSP «não partiu de nenhum órgão da Casa».

No dia 12, a direção da AAC escreveu num comunicado, citado pelo Observador: «Viveram-se momentos de grande tensão, após este conjunto de indivíduos se ter barricado insubordinadamente no interior do edifício, invadindo os estúdios da RUC e os gabinetes da Direção-Geral.» O presidente da Direção-Geral considerou a entrada, segundo o Observador, uma «clara violação da soberania política» da AAC. A 13, em conferência de imprensa, chamou-lhe «um flagrante atentado à liberdade de imprensa», anunciou a queixa ao Ministério Público e convocou uma concentração junto ao edifício para o dia seguinte (Lusa).

O Sindicato dos Jornalistas, em comunicado de 13 de outubro, «repudia o inaceitável e antidemocrático ato de um grupo de cerca de 30 pessoas, liderado por duas deputadas do Chega, que invadiu a redação da Rádio Universitária de Coimbra» e escreve: «Uma invasão é um ato hostil, logo configura uma agressão, que é punível por lei.» Disse que vai escrever à PSP a perguntar que medidas tomou para proteger as pessoas que estavam na RUC e se o grupo foi identificado, e que espera para ver se a «Comissão de Integridade da Assembleia da República» toma alguma medida em relação às duas deputadas. No mesmo dia, o Movimento Associativo Estudantil enviou uma carta a André Ventura sobre o caso (Lusa).

Sobre a palavra «invasão»: segundo a Lusa, Rita Matias disse ao Diário As Beiras que a ação «foi a invasão mais fácil da história da democracia portuguesa». Segundo o Polígrafo, numa entrevista à Rádio de Coimbra no próprio dia, disse ao jornalista: «Usou a palavra invasão e acho que foi muito bem usada», e comparou-a com a ocupação de estúdios de rádio e televisão em abril de 1974; num vídeo publicado depois, disse que «nós não invadimos nem entrámos de forma violenta em espaço absolutamente nenhum». O Polígrafo classificou como «Verdadeiro» que a deputada confirmou a «invasão» e depois criticou os jornalistas que usaram o termo.

Em março de 2026, as mesmas deputadas mostraram o cartão de deputadas à PSP para entrar numa reunião na Faculdade de Letras de Lisboa, o que a Comissão de Transparência considerou uma «utilização ostensivamente abusiva da prerrogativa de livre trânsito» (ver a decisão).

Fontes: Deputadas do Chega invadem edifício da AAC. Polícia está no local (Diário de Coimbra), 12.10.2026; Deputadas do Chega invadem estúdio da RUC em Coimbra durante debate ao vivo e só saem com chegada da PSP (Observador), 12.10.2026; Rita Matias foi identificada pela PSP após invasão de estúdio de rádio em Coimbra (Lusa (via Observador)), 13.10.2026 · Lusa; Ventura diz que falar em invasão à RUC «é uma coisa ridícula» (Lusa (via Observador)), 13.10.2026 · Lusa; Associação Académica de Coimbra vai avançar com queixa contra o Chega (Lusa (via Observador)), 13.10.2026 · Lusa; Sindicato dos Jornalistas afirma que invasão de estúdio de rádio pelo Chega é crime (Lusa (via TSF)), 13.10.2026 · Lusa; Invadir uma redação é crime (Sindicato dos Jornalistas), 13.10.2026; Rita Matias confirmou «invasão» aos estúdios da RUC, mas depois criticou os jornalistas que utilizaram o mesmo termo? (Polígrafo), 13.10.2026; Deputadas do Chega interrompem emissão em direto da RUC (Rádio Universidade de Coimbra (nota da própria rádio, parte no caso)), 12.10.2026

Resposta do visado

Rita Matias, contactada pela Lusa a 12 de outubro, considerou «ofensivos» os moldes da participação à distância, disse que a deliberação da AAC «não é democrática nem sequer constitucional», negou ter retirado o microfone a algum dos participantes e afirmou que não havia «intenção de permanecer na rádio e de usurpar a possibilidade de fazerem a sua normal transmissão». Ao Polígrafo, a 13 de outubro: «No sentido literal da palavra, não houve qualquer invasão. Não arrombámos portas, não forçámos entradas, nem ultrapassámos qualquer barreira física. Pelo contrário, a porta foi-nos aberta.» Disse ainda que «a comparação foi deliberadamente irónica». André Ventura, presidente do Chega, a 13 de outubro: «Eu ontem vi as notícias sobre aquilo que era noticiado quase como se tivesse sido uma invasão a um órgão de comunicação social, e isso é uma coisa ridícula»; «A lei é o que é. Aliás, penso que a lei também não permite que um órgão de comunicação social exclua uma pessoa do Chega de entrar nas suas instalações» (Lusa). (13.10.2026)

Sinal

Tipo
Fez
Tema
Imprensa
Data
12.10.2026
Última verificação
13.10.2026

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