Sinais / Minorias
Pedro Pinto: No debate do estado da Nação de 2022
Disse · Minorias · 20.07.2022
«a extrema-esquerda fica calada. Sabem porquê? Porque não foi um Bruno Candé, foi um militante do Chega que foi morto por um gangue, um gangue que ainda anda à solta.»
No plenário, no debate sobre o estado da Nação, num pedido de esclarecimento ao Primeiro-Ministro, António Costa. Pedro Pinto referia-se à morte de um militante do Chega, declarada na véspera, e antes dissera: «Quanto à insegurança, ainda ontem houve um homicídio […]» (p. 44).
Logo a seguir, na mesma intervenção, Pedro Pinto disse: «Existe insegurança em Portugal, embora o Sr. Ministro queira dizer que não. Posso também falar dos roubos de alfarroba no Algarve, onde uma etnia tão protegida pelo Governo do PS continua a praticá-los e nada lhe acontece.» O deputado do PS Eurico Brilhante Dias interrompeu: «Uma etnia protegida?! O que é isso?!» (p. 45)
Bruno Candé, ator, foi morto a tiro em julho de 2020; o tribunal de 1.ª instância deu como provada a motivação de ódio racial (ver a ficha).
Segundo a CNN Portugal (25/02/2023), a vítima, militante do Chega, foi agredida na noite de 17 de julho de 2022, numa discussão num jardim, e a morte foi declarada a 19 de julho. A peça diz que o agressor não abandonou de imediato o local e se entregou às autoridades nessa madrugada. A CNN Portugal teve acesso à acusação: o arguido está acusado de «um crime de ofensa à integridade física grave, agravada pelo resultado». E acrescenta: «As suspeitas relativas à omissão de auxílio foram arquivadas. E não há nenhum crime de homicídio.» Não encontrámos notícia do desfecho do processo.
Na mesma peça, um familiar da vítima contestou a versão do deputado: «Nós sabíamos que não tinha sido um ataque de um grupo ou de um ‘gangue’, citando o deputado Pedro Pinto e as mensagens que foram disseminadas, e que havia um só agressor, que tinha agido no decorrer de uma discussão que se descontrolou e na qual a violência escalou rapidamente. […] Mais ainda, sabíamos que ele já se tinha entregado à própria polícia e confessado, ainda antes da declaração do líder parlamentar, Pedro Pinto.» A CNN Portugal escreveu que enviou perguntas para o deputado Pedro Pinto, através da assessora do grupo parlamentar do Chega, e que não obteve resposta até à publicação.
Não identificamos a vítima, a família nem o arguido.
Ainda não identificámos esta intervenção no arquivo audiovisual do Parlamento.
Fontes: DAR I série n.º 34/XV/1, reunião de 20/07/2022, pp. 44–45 (Diário da Assembleia da República), 21.07.2022; “O meu pai passou a ser ‘o militante do Chega que morreu às mãos de um gangue’”. Mas não havia gangue. Não havia negros (CNN Portugal), 25.02.2023
Sinal
- Tipo
- Disse
- Tema
- Minorias
- Data
- 20.07.2022
- Quem
- Pedro Pinto
- Última verificação
- 13.10.2026
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